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Negócios & Moda

Shein estreia na bolsa por metade do preço: o cerco da UE começa a apertar

Shein estreia na bolsa por metade do preço: o cerco da UE começa a apertar

Em resumo: a Shein passou pela audiência de listagem na Bolsa de Hong Kong, com estreia prevista entre setembro e outubro, mas com uma avaliação-alvo de 40 a 50 bilhões de dólares: menos da metade dos 100 bilhões de 2022. Sobre o preço pesam as novas tarifas europeias sobre os pacotes de e-commerce. O que esse número diz para quem vende moda na Europa.

Às vezes os sinais de mercado mais eloquentes não estão nos comunicados, mas nos números que faltam. Na sexta-feira, 10 de julho, a Shein obteve a aprovação do regulador chinês e passou pela audiência de listagem na Bolsa de Hong Kong: a estreia é esperada entre setembro e outubro, ao fim de um percurso conturbado que já viu fracassarem as tentativas em Nova York e Londres. Mas o cerne da história está na cifra: a faixa de avaliação é de 40 a 50 bilhões de dólares, contra os 100 bilhões de que se falava em 2022. O gigante do ultra fast fashion chega à bolsa valendo, aos olhos do mercado, menos da metade do que valia há quatro anos.

Por que o preço caiu pela metade

As razões são mais estruturais do que conjunturais, e a principal fala a língua de Bruxelas: as novas tarifas europeias sobre os pacotes de e-commerce de fora da UE atingem em cheio o modelo dos micropedidos enviados individualmente, aquele que por anos permitiu fazer circular milhões de peças a preços mínimos aproveitando as isenções alfandegárias sobre pequenos valores. Não é um detalhe contábil: a Europa representa cerca de um terço da receita da Shein. A cobertura financeira desses dias usa uma expressão que vale uma análise inteira: o cerco ao e-commerce "começa a apertar".

O Connect Hall da HKEX em Exchange Square, Hong Kong: é aqui que as estreantes tocam o gongo do debute. Courtesy of HKEX
O Connect Hall da HKEX em Exchange Square, Hong Kong: é aqui que as estreantes tocam o gongo do debute. Courtesy of HKEX

O cenário regulatório, aliás, está se fechando em várias frentes ao mesmo tempo: justamente nos dias da audiência de Hong Kong, Roma e Paris formalizaram na Mesa da Moda um eixo comum contra o ultra fast fashion e as plataformas de fora da UE, com apoio a uma tarifa fixa europeia sobre os pequenos pacotes. O que até ontem era uma vantagem competitiva construída sobre uma zona franca regulatória está se tornando, item por item, um custo.

O que isso significa para quem vende qualidade

Para as boutiques e as marcas italianas, a leitura é menos abstrata do que parece. Primeiro: o mercado está dizendo que a pressão competitiva sobre o preço pode realmente diminuir na Europa, porque a diferença construída sobre os pacotes isentos está se estreitando. Segundo: uma Shein listada em bolsa, com balanços trimestrais públicos e investidores a remunerar, terá menos margem para o crescimento a qualquer custo que dopou os preços do mercado de baixa faixa. Terceiro, mais sutil: o capital que se afasta do ultra fast fashion já está buscando outras histórias, e o luxo em alta (os balanços trimestrais desses dias confirmam) é o primeiro candidato.

Que ninguém se iluda achando que o fenômeno vai desaparecer: falamos, afinal, de um gigante global, e de uma estreia que ficará entre as maiores do ano em Hong Kong. Mas a direção está traçada, e por uma vez favorece quem escolheu o caminho mais difícil: produto de verdade, cadeia limpa, preços que contam um valor. A distância entre os 100 bilhões de ontem e os 40 a 50 de hoje é exatamente a medida de quanto aquele modelo é menos invencível do que o descrevemos por anos.

Foto de capa: o polo logístico europeu da Shein em Wrocław, na Polônia. Courtesy of Shein

📸 Em resumo

Em 2022 valia 100 bilhões de dólares, hoje mira uma estreia por 40 a 50. Entre a Shein e a Bolsa de Hong Kong estão as novas tarifas europeias sobre os pacotes e um modelo de negócios que o mercado começou a precificar de outra forma. Por que, para quem vende qualidade na Europa, é uma notícia para ler até o fim.

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